"Pequenos Crimes Conjugais", com Maria Fernanda Cândido e Petrônio Gontijo, esteve em Belo Horizonte no Teatro Sesiminas nos dias 10 a 12 de agosto.
“O que teria acontecido com Romeu e Julieta se eles não tivessem morrido? Como seria a vida deles após 15 anos de convivência? A paixão acaba e a peça é sobre isso, sobre a diferença entre a paixão e amor, este último construído no olhar diário”, diz Márcio Aurélio, diretor de Pequenos Crimes Conjugais, com Maria Fernanda Cândido e Petrônio Gontijo. O autor francês já foi encenado no mesmo teatro, em 2002, quando Paulo Autran apresentou Variações Enigmáticas, com direção de José Possi Neto. Agora, a dobradinha Autran e Eric – Emmanuel Schmitt se repete. Desta vez o ator está na função de tradutor de Petis Crimes Conjugaux – Pequenos Crimes Conjugais.
Após um misterioso acidente, o escritor de romances policiais, Gilberto - Petrônio Gontijo - perde a memória. Tudo o que pode saber de sua vida – e sobretudo de sua relação conjugal – vem da sua esposa, a pintora Lisa – Maria Fernanda Cândido. Como eles viviam juntos? Eram felizes? Quem pode responder a isso? É a partir da versão de Lisa do passado, então, que ele tenta reconstruir a relação. Mas será que ela conta a verdade? Qual terá sido a causa do acidente? Gilberto está mesmo com amnésia ou finge? Pequenos Crimes Conjugais pode ser um thriller conjugal ou um suspense romântico, mas nem o próprio autor sabe definir o gênero do texto. “Eu não sei se o que escrevi foi uma comédia ou tragédia. Afinal, a qual dos gêneros pertence a vida de um casal?’, questiona Schmitt.
O empenho de Lisa e Gilberto no sentido de recuperar as lembranças do escritor vai revelar, no final do espetáculo, duas pessoas que são tão cúmplices quanto adversárias, mas que acabam se descobrindo mais do que no passado.
“Colocamos uma lente de aumento no ridículo dos conflitos. Mas quem define esse ridículo é o público. O humor vem da identificação e não tem como deixar de acontecer. São momentos de prazer, tristeza e brigas que sintetizam as oscilações presentes na vida de qualquer casal. Coisas do ser humano”, detalha Petrônio. O elenco conta que, embora possa haver uma grande identificação com os personagens, a leitura do texto foi bastante desafiadora. “Eles jogam o tempo todo um com o outro. Entramos de corpo e alma na história, que reúne experiências pessoais traduzidas num grande depoimento sobre o amor”, resume o ator.
Para o diretor Márcio Aurélio é possível enxergar inúmeras maneiras de se relacionar em “Pequenos Crimes Conjugais”. “A perda de memória exige o diálogo e parece que Paulo Autran fez a tradução pensando o tempo todo no público brasileiro. Cada situação é reconstituída com sagacidade, ressaltando a habilidade de Schmitt, um dos autores contemporâneos mais lidos e encenados na atualidade”, conta.